segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rumo ao barulho do silencio

Olah a todos...

Hoje eu to demorada, atrasada em tudo... quase nao acordei de manha, mas alguma força ainda me puxou da cama e eu levantei 6h20 da manha, fui correr hj cedo, subi escadas de predios de garagem de novo (o dobro do que fizemos na ultima semana). Estava muito frio, 10 graus aqui! Eh loucura, quinta passada eu estava tomando banho de piscina, e agora esse frio...
Como se nao bastasse o frio e a solidao, fiquei sabendo ontem que meu tio morreu la no Loreto, o tio Joao Antonio... e ele nem era velho, ele teve um enfarto fulminante... e eu nao consegui tirar essa historia da minha cabeça desde entao. Fiquei pensando nos meus pais, queria estar no Brasil numa hora dessas pra dar uma força... eh estranho, esse tio tinha 68 anos... Acho que o que mais me assusta eh o fato de ele nao ser tao velho, de ele nao ter tido nenhuma "morte anunciada" - como os outros dois tios que morreram no inicio desse ano, que vinham lutando contra o cancer ha anos. Me deu um certo medo e uma certa culpa de estar aqui sozinha, um sentimento de que talvez devesse estar la em Porto Alegre com a minha familia e nunca sair de la. Mas meu lado racional sabe que isso nao eh possivel ser feito, que as fatalidades fazem parte da vida e que a gente tem que seguir vivendo...
Eu lembro mais desse tio de quando eu era criança, primeiro tinha uma casinha atras da casa dos meus avos, e ali era "o quarto do tio Joao Antonio". Sei la se era mesmo, mas eu assim conhecia aquela casinha, e "nao era pra entrar la". Ok, uma vez eu entrei e vi uma cortinha de taquarinhas, daquelas que tu passa e faz barulho... e voltei pra fora correndo! Agora depois de adulta, a ultima vez que eu vi o tio foi no meio da estrada no Loreto, ele estava a cavalo, a gente parou o carro, deu um oi rapido, ele fez uma piadinha com meu irmao, e seguimos nosso rumo... nunca imaginei que aquele seria o ultimo adeus, se eu soubesse, tinha pedido para para o carro, sentado numa roda de chimarrao e conhecido um pouco melhor aquele tio depois de adulta.. o que fica pra mim sao apenas opinioes dos outros sobre ele, mais do que minha propria impressao. E isso eh fogo. Me diz que a vida eh curta e que as vezes parece que nao dah tempo de a gente dizer pras pessoas tudo o que quer dizer, nem conhecer todas as pessoas que queria conhecer...
Ficou tambem aqui pra mim, nesse luto solitario, uma assombracao de que nao apenas os que tem morte anunciada se vao, mas qualquer um pode se ir a qualquer momento... e infelizmente as pessoas que a gente mais ama tambem nao sao eternas - muito embora, no dia a dia, as vezes a gente estranhamente acredite que sejam.
Eu sei que esse esquecimento de que todo mundo, inclusive quem se ama, seja finito, eh o que nos faz sorrir e tocar a vida, e se separar de vez em quando e tocar nossas vidas... se eu for pensar que meus pais um dia vao morrer a todo instante, eu nao vou sair de casa... e infelizmente nao tem lugar nesse mundo pra se ficar deprimido pra sempre - pois, assim, a gente soh atrapalharia a vida dos outros! mas enfim, tem dias em que o fim-da-festa aparece pra nos, e a gente nao pode fazer nada senao baixar a cabeça e limpar o salao - o que eu em parte to fazendo aqui no blog, escrevendo sobre o assunto...

Hoje eu to mais lenta, to me dando ao respeito de curtir esse frio e esse dia vazio na minha sozinhidao, mesmo... vou fazer o que posso por aqui, mas nao prometo muito. Eh a vida.
O Loreto eh um lugar no meio do nada, mais precisamente, Belem, eh um distrito de um distrito de Sao Vicente do Sul, que, se alguem quiser outra referencia, eh perto, mas nao muito, de Santa Maria. Ou seja, eh um lugar no meio do nada, onde ateh o silencio faz barulho. Eu achava que a vida por la era tranquila, mas ae o tio, que morava la a vida toda, enfartou no Loreto! Acho que agora dou razao pros meus pais por terem se mudado pra Porto Alegre em 1973. Acho que eles escolheram uma vida melhor pra eles, e deram uma vida bacana pros filhos... e eh isso, todo mundo se separa da sua terra um dia, ha um dia em que se faz as malas e se parte pra outro lugar, ateh o dia em que se parte desse mundo... a vida eh um processo de desapego mesmo, primeiro cortam o cordao umbilical e a partir dali a gente soh vai se soltando cada vez mais, ateh virar uma poerinha voando no meio do nada... Vai ver a gente vira soh aquele barulho do silencio correndo solto pelas coxilhas do Loreto...

Um comentário:

Clarisse disse...

Sinto muito pelo teu tio Duquinha, sinta-se abraçada :)