Que estranho.
Estava aqui estudando a noetic consciousness da memoria episodica do Tulving (hein?), quando me veio em mente a imagem da rodoviaria de Ijui.
Alguem conhece a rodoviaria de Ijui?
Nada mais normal do que a rodoviaria de Ijui... mas eu lembro de passar por la sempre com um ar misturado de cansaco e certo entusiasmo por causa da URI... chegar por la significava que o tempo da viagem estava terminando ou recem comecando, mas apesar de representar toda essa dinamica do tempo, aquela rodoviaria realmente parecia parada no tempo. Sempre tinha um sol batendo nos boxes da rodoviaria, um gaucho sentado em cima da mala quadrada olhando por baixo das sobrancelhas contra o sol. La sempre tinha uma mala antiga viajando, daquelas retangulares que tinha duas fivelas. Cor vermelho-bordo ou azul-esverdeado. Eu gostava de ver as malas antigas. Malas cheias estao sempre carregando historias. Da pra viajar na imagem delas e pensar onde andaram, quantas pessoas ja puxaram, que tipo de coisas ja trouxeram, o que ja levaram de volta, e o que esqueceram...
Mas na rodoviaria de Ijui tambem sempre tinha gente que viajava por la so com uma sacolinha de supermercado.
Sempre tinha um onibus que parava ao lado do meu e dentro do primeiro bagageiro vinha uma maletinha de produtos medicos, com aquele simbolo do *biohazard* (banda de metal que usa esse simbolo, nao sei o nome certo do simbolo, mas se alguem conhecer a banda, vai saber do que eu falo). Dava um certo medo ver aquilo, que tipo de material estavam mandando pro doutor de Ijui investigar?
Mas que estranho me vir aquela imagem agora, eu aqui de cabeca baixa lendo artigo e veio a imagem tipo aquele sol invasor do noroeste gaucho, que me acordava da viagem anunciando que Santo Angelo estava proximo, eu olhava pela janela e o sol permitia enxergar a poeira da terra vermelha no ar, e eu pensava "la fora ta o calor do chaco paraguaio, aquele desgracado...".
Em Orlando nao tem rodoviarias. Nem gaucho sentado na mala. Nem maletinha chegando no primeiro bagageiro. Dae fiquei meio nostalgica aqui.
Eh, memoria episodica tomando conta do celebro em terras gringas...
Mas eu tenho certeza de que quem passa pela rodoviaria de Ijui tem presente memorias semelhantes as minhas. E da-lhe consciencia autonoetica compartilhada. :P (hm, vou patentear o termo. heuaheua)
O escultor de memórias
Há 14 anos

3 comentários:
eu nunca fui pra Ijuí... mas a de Cachoeira é bem parecida com a qual tu descreveste! ;) hehehhe
beijossssss
A de Lajeado também, é bem parecida... tem a vendinha de cucas num canto da Rodoviária lajeadense que sem dúvidas era o meu predileto... Sem contar nos inúmeros pardalzinhos que chegavam a se "espraiar" nos boxes para dar uma arejada nas penas... lá deitadões até que alguém os importunasse... :)
Coool hã?!
"Rodoviária de Ijuí" traz 17.700 ocorrências no google. Entre as ocorrências se lê "[...] Elas foram encontradas pela Polícia Federal na estação rodoviária de Ijuí acompanhadas de uma adolescente de 16 anos [...]", "Até cães participaram de uma briga generalizada na rodoviária de Ijuí [...] O caos na Estação Rodoviária de Ijuí vem mobilizando Conselho Tutelar, [...] Segundo a Assistência Social, a rodoviária de Ijuí é problemática [...]" e "[...] deixou o caminhão estacionado próximo à estação rodoviária de Ijuí quando acontece furto do tacógrafo [...]". Achei que os seus três parágrafos sobre a rodoviária de Ijuí fosse o maior texto já escrito a respeito dela... ledo engano.
P.S.: os [...] me lembra os polígrafos do Ivan Hingo Weber :D
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